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Produção de motos continua suspensa em Manaus; setor já caiu 5% em 2020

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14/04/2020 11h53

Yamaha prorrogou paralisação da produção até 29 de abril

Harley-Davidson, Honda e Yamaha mantiveram a produção de motocicletas suspensa em suas fábricas localizadas em Manaus (AM). O sistema de saúde da capital amazonense está perto de entrar em colapso por causa da pandemia do novo coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. Em função disso, as empresas prorrogaram a suspensão das atividades fabris, que já estavam paradas desde meados de março.

A Honda anunciou, na semana passada, a prorrogação da suspensão da produção, que estava prevista para ser retomada ontem (13 de abril), até o dia 20 de abril. "Para essa decisão, a empresa considerou a saúde e segurança dos colaboradores, o agravamento na disseminação do novo coronavírus na cidade de Manaus e os impactos da pandemia no mercado de motocicletas", afirmou em comunicado.Fábrica da Harley-Davidson em Manaus (AM) segue com a produção suspensa temporariamente

Menos otimista, a Yamaha divulgou ontem que as atividades continuam suspensas na fábrica, e deverá retomar a produção em 30 de abril. Já a Harley-Davidson informa que "segue com a produção na fábrica de Manaus (AM) suspensa temporariamente. A Harley-Davidson do Brasil continuará monitorando a situação de perto e fará ajustes adicionais conforme necessário, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das autoridades locais de saúde".

Em março, as fabricantes de motocicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 101.425 unidades, volume 7,4% maior que fevereiro do presente ano (94.442 unidades). Segundo dados da Associação dos fabricantes, Abraciclo, o primeiro trimestre de 2020 apresentou crescimento de 7%, com 296.159 motocicletas produzidas, em comparação com as 276.760 unidades fabricadas em igual período de 2019.

"O setor começou o mês de março com forte atividade industrial, porém, para preservar a segurança dos colaboradores e cumprir as determinações das autoridades governamentais e de saúde, cerca de 60% das empresas associadas à Abraciclo do segmento de motocicletas anunciaram paralisações temporárias da produção de suas fábricas em Manaus, em função dos impactos da pandemia do coronavírus (covid-19)", relata Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.

A entidade informa que a perspectiva de baixa atividade comercial devido às ações preventivas de confinamento da população em suas residências também foi um fator considerado para a decisão de suspensão temporária da produção. "Os resultados serão sentidos no balanço do mês de abril", analisa Fermanian.

Venda de motos cai 5,5% em março

A paralisação das fábricas e o fechamento das concessionárias já refletiram nos números de vendas. No mês passado, o emplacamento de novas motos registrou queda de 5,56% sobre fevereiro, totalizando 75.356 unidades emplacadas em março. No acumulado dos três primeiros meses de 2020, as 246.832 motos vendidas representaram retração de 4,59% sobre as vendas do mesmo período de 2019, segundo dados divulgados pela Fenabrave, federação que reúne concessionários e revendedores de veículos de todo o Brasil.

Segundo o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o mês de março foi impactado, drasticamente, em função da pandemia do Coronavírus. "Nosso setor, que representa 4,5% do PIB e gera, diretamente, mais de 315 mil empregos, por meio de 7,3 mil concessionárias, está, praticamente, paralisado, em função dos decretos de quarentena. Apenas algumas concessionárias estão com as oficinas abertas, para atender caminhões, ambulâncias e outros veículos essenciais para serviços de primeira necessidade, como os ligados à saúde e alimentação", afirmou.Concessionárias estão praticamente paralisadas; vendas caíram 5,59% em março, na comparação com o fevereiro

Para o executivo, ainda não é possível revisar as projeções do setor de veículos para o ano de 2020, em função da falta de previsibilidade de retorno do comércio e dos reais impactos ao final do período de quarentena. No início do ano, a entidade projetava um aumento de 10% nas vendas de motocicletas no país neste ano.

Segundo levantamento da Fenabrave, o aumento dos serviços de entrega em domicílio tem feito a procura por motos aumentar. No entanto, com as montadoras em férias coletivas, com a paralisação das Concessionárias e com a redução da oferta de crédito pelos bancos, a recuperação do segmento de motos dependerá do retorno às atividades normais, após o controle da pandemia do Coronavírus. (Por Arthur Caldeira)

* post atualizado em 14/04/2020 às 12:24

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Arthur Caldeira, jornalista e motociclista (necessariamente nessa ordem) fundador da Agência INFOMOTO. Mesmo cansado de ouvir que é "louco", anda de moto todos os dias no caótico trânsito de São Paulo.

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